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Prepare-se! Você vai agora conhecer um pouco do Brasil. Claro, é um Brasil de fotografias, um Brasil de papel. Colorido, brilhante, bonito, bem apresentado, mas ainda um Brasil de papel. Que você pode levar para casa, colocar na estante, na mesa do escritório, em um lugar de destaque. Pode “visitar” de vez em quando ao folhear as páginas deste livro, mostrar para a família, para os amigos. É certo, porém, que apesar de ser apenas um Brasil de papel, é uma inesquecível lembrança do Brasil. Mas tenha sempre a certeza: toda essa riqueza que você tem em mãos é só uma pequena, uma rápida amostra do que existe de verdade. E, por melhor que ela seja, será eternamente uma pequena, uma rápida amostra da exuberância e gigantismo do Brasil. Porque o Brasil de verdade, com milhares de cenários diferentes, cores, sons, cheiros e, principalmente, gente, é muito, muito melhor. Não tem comparação. Para começar: o Brasil é muito grande, é o quinto maior país do mundo em extensão territorial, o maior do hemisfério sul. É só olhar no mapa e comprovar.

É um verdadeiro continente. Sabe lá o que são exatos 8.547.403 quilômetros quadrados? É de perder de vista. É tão grande que para cortá-lo de ponta a ponta - da capital do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, à capital do Estado de Roraima, Boa Vista, no extremo norte - um avião comercial demora mais de 9 horas! Como comparação, vale lembrar que o vôo comercial Nova Iorque-Paris demora até 8 horas, mas com um detalhe significativo: há troca de continente. No Brasil, voa-se 9 horas sem sair do território brasileiro. Já pensou?

Nesse território, aproximadamente 170 milhões de brasileiros vivem, trabalham, sonham e criam uma sociedade dinâmica, em constante transformação, progresso e modernização. Por sua história, seus costumes e sua cultura, é possível, por exemplo, o harmônico convívio da mais alta tecnologia industrial de ponta com as mais remotas tradições indígenas; a mais inovadora arquitetura com a arte secular dos artesãos de barro. Unindo esses 170 milhões de brasileiros que vivem em plena e total liberdade étnica, religiosa e de pensamento, uma única língua, a língua portuguesa. Com inúmeros e criativos regionalismos, o português falado no Brasil incorpora milhares de termos de origem indígena (grupo lingüístico tupi-guarani) e africana (iorubá). A língua portuguesa é um ponto fundamental, essencial, na construção da nação brasileira, da civilização brasileira. Na consolidação da identidade brasileira.

O Brasil começou a falar português no dia 22 de abril de 1.500, uma quarta-feira. Nesse dia, 1.350 homens, distribuídos em 9 naus (uma desapareceu na viagem) e três caravelas, capitaneados pelo navegador português Pedro Álvares Cabral, lançaram âncoras a cerca de 36 quilômetros da costa. Desembarcaram em Porto Seguro, litoral sul do Estado da Bahia, depois de estafantes 45 dias de viagem pelo Oceano Atlântico, partindo de Lisboa. Foi o primeiro grupo de europeus a pisar em terras brasileiras, habitadas apenas por tribos indígenas. Apesar de alguns historiadores levantarem a hipótese de que outros navegadores já tivessem andado pelo Brasil, o fato é que, oficialmente, Pedro Álvares Cabral é o seu descobridor e, em 2.000, exatamente na virada do milênio, o País comemorou seus 500 anos. Entre os homens de Cabral, estava Pero Vaz de Caminha, que embora não fosse o escrivão oficial da esquadra, escreveu uma longa carta ao rei de Portugal, D. Manoel I, relatando os percalços da viagem, a descoberta, o encontro com os índios e as inúmeras belezas naturais. A carta é o primeiro documento sobre o Brasil e em seu trecho final expressa o deslumbramento de Caminha diante da beleza e do tamanho da nova terra. “Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos, até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vistas, será tamanha que haverá nela bem 20 ou 25 léguas por costa; traz ao longo do mar, em algumas partes, grandes barreiras delas vermelhas e delas brancas e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito formosa; pelo sertão nos pareceu do mar muito grande, porque a estender olhos não podíamos ver senão terra e arvoredos, que nos parecia muito longa terra”. Mas o Brasil não nasceu Brasil. Seu primeiro nome foi Ilha de Vera Cruz, pois Cabral julgava que a terra descoberta era uma ilha. Um ano depois, com a certeza de que não era uma ilha, o nome foi trocado para Terra de Vera Cruz. Vieram em seguida, Terra de Santa Cruz (por ordem do rei D. Manoel I), Terra dos Papagaios (nome preferido pelos marujos, que se espantavam com a quantidade existente dessas aves) e, finalmente, Brasil. Brasil, de pau-brasil. E aí já aparece o primeiro sinal da relação estreita com a natureza. Isso porque pau-brasil é o nome de uma árvore de tronco avermelhado que existia em abundância na Mata Atlântica, muito cobiçada na Europa em razão de seu extrato vermelho, forte, utilizado para tingir, especialmente tecidos.

De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito formosa. A partir da dominação portuguesa e da vinda de escravos negros da África, tem início uma rara miscigenação de raças, envolvendo índios, brancos europeus e negros africanos. Pinceladas de outras cores - francesas e holandesas - também foram somadas ao desenho da alma brasileira. Isso porque esquadras desses dois povos ocuparam temporariamente parte do território até serem expulsas definitivamente pelos portugueses. Apesar do curto período de permanência, deixaram profundas marcas na cultura brasileira. Historiadores, antropólogos e inúmeros estudiosos buscam nessa miscigenação original - com todas suas incontáveis nuances - e na influência dos invasores estrangeiros, tudo sob a intensidade natural dos trópicos, a razão da originalidade do Brasil. Porque, convenhamos, 500 anos é muito pouco tempo se comparado com outros países e civilizações. Mas o suficiente para mostrar um jeito diferente, especial, de viver, pensar, sentir e agir. Um jeito muito característico, marcante. Inesquecível. Um jeito que dispensa palavras, longas explicações ou análises. Aparece tanto no olhar matreiro do sertanejo que vasculha o céu em dia de sol abrasador, garante que vai chover, e chove, como na malícia do aposentado do subúrbio da metrópole que blefa num jogo de cartas em praça pública. Manifesta-se ainda na camaradagem, na amizade selada para toda vida e que nasceu há exatos três minutos, na cumplicidade de quem mira no olho do outro, aponta o dedo e garante:

- Eu te conheço. Não sei de onde, mas juro que te conheço

fonte: EMBRATUR
 
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