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CARNAVAL
O mês de fevereiro, no Brasil, é sinônimo de festa. É Carnaval,
a festa em que, sob máscaras e fantasias, o brasileiro se revela
em sua essência: alegre, criativo, musical e irreverente.
Oficialmente o Carnaval brasileiro começa num domingo e termina
em uma terça-feira, quase sempre de fevereiro. (A data da festa
varia de acordo com o calendário católico-apostólico-romano, já
que ela acontece 40 dias antes da Páscoa).
Durante esses três dias o país se fantasia de Norte a Sul, de
Leste a Oeste. Mas em alguns lugares a tradição é mais forte. Os
festejos oficiais se estendem por mais de uma semana, sem contar
as chamadas “prévias”, que acontecem ao longo de praticamente
todo o verão. E apesar de terem sempre a mesma essência, as
festas de Carnaval têm características próprias em cada lugar do
país.
CALENDÁRIO CARNAVALESCO ATÉ O ANO 2010
Domingos de Carnaval
2004 - 22 DE FEVEREIRO
2005 - 06 DE FEVEREIRO
2006 - 26 DE FEVEREIRO
2007 - 18 DE FEVEREIRO
2008 - 03 DE FEVEREIRO
2009 - 22 DE FEVEREIRO
2010 - 14 DE FEVEREIRO
CARNAVAL DE RECIFE E OLINDA
No sábado que antecede o Carnaval, Recife acorda cedo. E é uma
cidade habitada por bailarinas, palhaços, Ets, pierrots e
colombinas. Mal o dia clareia, uma procissão de alegres loucos
surge de todos os cantos em direção ao centro da cidade para
engrossar o maior bloco carnavalesco do mundo.
Às sete horas da manhã, os metais soam os primeiros acordes do
frevo. São 12 notas que ecoam, contagiantes, pela multidão.
Quase um milhão de pessoas dançam com o Galo da Madrugada, o
maior símbolo (literalmente) do Carnaval pernambucano.
O Carnaval de Pernambuco é, sem dúvida, um dos mais animados e
certamente o mais democrático do país. É uma festa de rua para
todas as idades: velhos, moços, adultos, crianças, todos
desfilam suas fantasias pelas ladeiras de Olinda e pelas ruas
estreitas do Recife Antigo.
O frevo, ritmo que embala a festa, tem versões para todos os
gostos. Orquestras de cordas e metais executam as músicas mais
lentas e compassadas. Normalmente saem pela manhã arrastando os
mais velhos e as crianças. A medida que o dia passa, o ritmo do
frevo se acelera, ganha mais percussão e até se confunde com o
maracatu, outra forma de expressão ritmico-musical
característica do Carnaval pernambucano.
Representação festiva dos séquitos que acompanhavam os reis de
congos (lideranças eleitas pelos escravos) na cerimônia de
coroação, “representantes” da nobreza e dos índios desfilam nos
maracatus, ao som de uma orquestra de tambores, chocalhos e
agogôs, vão à frente rei, rainha, príncipes, damas e
embaixadores. O rei usa um enorme chapéu-de-sol colorido,
adornado de franjas e circundado de pequenos espelhos - o que,
segundo estudiosos, é um elemento da cultura árabe, típico da
África Setentrional.
CARNAVAL DE SALVADOR
O povo também lota as ruas de Salvador para brincar o Carnaval.
Na capital baiana, o som que prevalece é o dos trios-elétricos,
enormes caminhões transformados em palcos, que emitem, em muitos
megawatts de potência, o som contagiante da “axé-music”.
Tanto os trios-elétricos como a axé-music são invenções
tipicamente baianas que se popularizaram em todo o Brasil,
arrebatando especialmente os jovens. E são multidões deles que,
durante o carnaval, percorrem as ruas de Salvador cantando e
dançando atrás dos caminhões. Cada trio-elétrico “puxa” um
bloco, cujos integrantes vestem uma mesma fantasia (o abadá) e
dispõem de todo conforto e segurança para brincar.
Mas a raiz negra da cultura baiana fica totalmente exposta nos
desfiles carnavalescos dos grupos afro. Eles soam seus tambores
a partir do Pelourinho - sede e local de concentração do Olodum
- ou da Cidade Baixa, de onde vêm os elegantes Filhos de Ghandi
e o os orgulhosos integrantes do Ilê Ayê - para a alegre
confraternização no caldeirão cultural da Praça Castro Alves,
coração do Carnaval baiano.
CARNAVAL DO RIO DE JANEIRO
Quem conhece não contesta. Quem nunca viu não duvida. O desfile
das escolas de samba, o apogeu do Carnaval carioca, é o maior
show da terra. São milhares de pessoas executando uma fantástica
ópera de rua, com enredo, cenário, personagens principais e
figurantes, música, orquestra, solista, coro e fantasia. Muita
fantasia. A fantasia levada ao extremo.
Tão importante para a cultura carioca, o desfile das escolas de
samba ganhou lugar próprio, o “Sambódromo”. É o que se poderia
considerar um teatro, com espaço para a apresentação do
espetáculo e para a platéia. Mas um teatro de formato todo
peculiar, de 800 metros de extensão, por onde desfila o
espetáculo.
O desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro envolve um
batalhão de pessoas durante todo o ano. No “top” de linha estão
os “carnavalescos”, uma categoria de profissionais
supergabaritados, extremamente criativos e bem remunerados,
criada em função da festa carioca. Eles se dedicam a imaginar, a
conceber o desfile. São assessorados por um “staff” de músicos,
letristas, pesquisadores, coreógrafos e desenhistas e mais um
punhado de profissionais de criação, técnicos e executores.
Mas o que faz realmente a festa são os milhares de integrantes
das escolas, seus passistas - homens e mulheres cujos corpos
parecem movidos por perfeitas engrenagens acionadas pelo toque
repenique do pandeiro, do atabaque, da cuíca, por cada
instrumento ou pelo uníssono balanceado dos mais de 100
percussionistas. São as velhas “baianas”, presença obrigatória
de homenagem e reverência às sábias matriarcas. É cada um que
queira estar na passarela do samba. Isso mesmo: a participação é
aberta a quem queira comprar uma fantasia e estar no centro das
atenções da festa.
Mas as arquibancadas e camarotes do Sambódromo também são total
e pleno Carnaval, de animação e beleza. Fora do Sambódromo, o
Carnaval carioca é animado pela bandas e blocos que desfilam
especialmente pelas ruas da zona sul da cidade, como a Banda de
Ipanema, o Simpatia é quase Amor e o Suvaco de Cristo, onde o
carioca tem a oportunidade de externar toda a sua alegria e
irreverência.
CÍRIO DE NAZARÉ
O Círio de Nazaré é uma das maiores manifestações religiosas do
país. Durante 15 dias do mês de outubro, em Belém, capital do
estado do Pará, milhares de pessoas demonstram sua fé
homenageando a imagem da padroeira Nossa Senhora de Nazaré. O
ponto alto do evento é a grande procissão que acontece no
segundo domingo do mês, quando a multidão de romeiros pagam suas
promessas, muitos dos quais descalços, vestindo mortalhas e
carregando grandes cruzes e outros objetos referentes às graças
que alcançaram. Durante quatro horas, no percurso de 2,5
quilômetros entre a Catedral da Sé e a Basílica, os fiéis,
vindos de todo o país, e mesmo do exterior, pagam suas promessas
e buscam uma maior união com a santa disputando um pedaço da
extensa corda presa ao carro onde está o santuário com a imagem
de N. S. de Nazaré. Enquanto isso, outras milhares de pessoas
nas janelas das casas e edifícios e das arquibancadas montadas
para o evento louvam a passagem do desfile, soltando fogos de
artifício e fazendo uma chuva de papel picado. Durante as
comemorações, o Círio de Nazaré chega a atrair perto de 2
milhões de pessoas.
Todo o ciclo de festividades é marcado pela representação do
milagre que deu origem ao Círio. Em 1700, um humilde caboclo,
Plácido José de Souza, achou a imagem de N.S. de Nazaré nas
margens no igarapé Murutucu e a levou para sua casa. No dia
seguinte, deu por falta da santa, encontrando-a no mesmo local
onde fora achada. Esse fato repetiu-se diversas vezes. O
governador da província, mandou então, que a imagem fosse
mantida no palácio sob forte vigilância. Mas de nada adiantou.
No outro dia, no mesmo igarapé, estava a representação de
Nazaré. Isso motivou a construção de uma ermida no local, onde
fica hoje a Basílica, e a padroeira começou a ser adorada pela
população que recebia seus milagres. O primeiro Círio de Nazaré
aconteceu em 1793.
Assim, no sábado anterior ao grande dia é feita uma procissão
noturna, a Trasladação, entre as margens do igarapé, onde fica a
capela do Colégio Gentil Bittencourt, até a Catedral. No
domingo, a imagem é levada de volta para a Basílica de Nazaré.
Lá chegando é rezada missa e a santa ficará exposta ao público
até o final das festividades, que acontece dois domingos depois,
com a procissão do Recírio. Nesse dia, é devolvida à capela do
colégio. Ainda no sábado de véspera é realizada, pela manhã, a
romaria fluvial entre Icoaraci e o Colégio Gentil, da qual
participam centenas de embarcações.
As comemorações do Círio são feitas também de uma série de
outros eventos, que começam na sexta-feira anterior ao domingo
principal. Nesse dia é apresentado o Auto do Círio, uma
representação teatral de rua. Há também tradicionais festas não
religiosas que animam a cidade. No sábado acontecem o Arrastão
da Pavulagem, do qual tomam parte grupos representantes da
cultura popular paraense, e a Festa da Chiquita, com
apresentações de música e poesia, em uma irreverente festa
cultural.
FESTA DE IEMANJÁ
Em toda a orla da Bahia, dia 2 de fevereiro é dia de festa no
mar. Como cantou um dos mais famosos compositores e poetas
baianos, todos, naquela terra sagrada, querem saudar Iemanjá. No
seu dia, esse orixá das águas salgadas recebe oferendas,
homenagens e súplicas, num ritual de beleza emocionante que
mobiliza comunidades inteiras.
A mais famosa Festa de Iemanjá é a que se realiza em Salvador,
no bairro do Rio Vermelho. As senhoras de Candomblé (culto
africano com muitos adeptos na Bahia), vestidas com suas baianas
típicas, levam oferendas para Iemanjá em barcos, todos
enfeitados, que são colocados nas águas pelos homens, ao som de
cânticos e orações.
Terminado o ritual religioso, o que, aliás é uma característica
do Candonblé, a festa prossegue de forma, vamos dizer, profana.
Com muita dança, música, comida e bebida nas barracas
padronizadas que se espalham pela praia agregando uma verdadeira
multidão. Isso é o que na Bahia se chama “festa de largo” - na
verdade uma festa de rua - onde se celebram datas religiosas e
cívicas, depois das comemorações oficiais.
FESTA DE SÃO JOÃO de CAMPINA GRANDE
O “Maior São João do Mundo” acontece todos os anos em Campina
Grande, cidade do interior da Paraíba. Durante o mês de junho,
milhares de pessoas, entre campinenses e turistas de todo o
Brasil, participam de uma festa animada pelo autêntico forró
pé-de-serra e quadrilhas.
FESTA DE SÃO JOÃO de CARUARU
O principal evento do agreste pernambucano começa todos os anos
no final de maio e dura todo o mês de junho. É a Festa de São
João de Caruaru, a Capital Brasileira do Forró. Cerca de um
milhão de pessoas participam das festividades. Muito forró, xote
e baião com artistas regionais e nacionais atraem multidões para
o Parque de Eventos Luís Gonzaga, onde são instalados
restaurantes, bares e infra-estrutura para atender os
forrozeiros. Ao mesmo tempo, apresentam-se quadrilhas com
milhares de participantes, carros alegóricos e grupos
folclóricos como bacamarteiros, bandas de pífanos e o teatro de
mamulengos. E enormes quantidades de fogos de artifício iluminam
o céu. Nesses dias se preparam guloseimas imensas: o cuscuz, o
pé-de-moleque e a pamonha maiores do mundo. Barracas de comidas
e artesanato típicos são espalhados pela cidade. Uma grande
fogueira com 12 metros de altura marca o último dia de festa.
FESTIVAL FOLCLÓRICO DE PARINTINS
Essa é a história representada pelo grupos de boi-bumbá ou bumba
meu boi, variações mais comuns do nome dessa manifestação
folclórica. É fácil identificar nelas componentes de várias
culturas, como a ibérica e a árabe. Mas elas se agregam à
cultura indígena, que dá as mais fortes características do
folguedo, considerado a maior festa popular amazônica.
O boi é representado, durante todo o mês de junho, em todos os
estados amazônicos como parte das festejos juninos - mais
animados, no norte do país, do que o próprio Carnaval. Mas foi
em Parintins que a festa ganhou maior projeção, com a realização
do Festival Folclórico de Parintins. Ele atrai milhares de
visitantes de todo o Brasil e de várias partes do mundo para a
pequena cidade amazonense às margens do rio Amazonas, próxima à
divisa com o Pará.
A beleza exuberante e exótica da região já justifica visitar o
festival folclórico de Parintins. Chega-se até a cidade de
barco, numa viagem que demora em média 24 horas de ida, a partir
de Manaus, e 36 horas de volta, navegando contra a correnteza do
Amazonas. As agências de turismo especializadas trabalham com
embarcações de muito conforte e segurança, requisitos essenciais
especialmente porque o mais comum é os visitantes ficarem
hospedados no próprio barco, já que a cidade não dispõe de
acomodações para tanta demanda.
Durante os primeiros dez dias de festival, apresentam-se vários
grupos folclóricos, com suas representações de lendas ao som de
toadas e cantos indígenas, teatralizações de rituais, fantasias,
figuras engraçadas e curiosas do imaginário da região.
A apoteose acontece entre os dias 27 e 30 de junho, quando se
apresentam as grandes atrações da Festa, os bois Garantido e
Caprichoso. Há décadas eles, e só eles, disputam a condição de
melhor boi de Parintins. E quem escolhe é o público, que se
divide entre o vermelho (cor do Garantido) e o azul (símbolo do
Caprichoso). Ganha quem mais fizer vibrar a platéia. Razão pelo
qual os grupos não poupam esforços nem economizam animação.
NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES
Um bom exemplo do que é o Brasil, um país de uma riqueza e de
uma diversidade cultural inacreditáveis. O mesmo dia 2 de
fevereiro em que a Bahia homenageia o orixá Iemanjá, os sulistas
- especialmente gaúchos e catarinenses - consagram a Nossa
Senhora dos Navegantes, a protetora dos pescadores e viajantes
dos mares, rios e lagoas.
A maior festa para Nossa Senhora dos Navegantes acontece em
Porto Alegre. Afinal, a Santa é padroeira da cidade, que pára em
feriado oficial para reverenciá-la.
Acorrem para o rio Guaíba todas as embarcações que estão pela
região, e lá se perfilam numa enorme procissão aquática atrás do
barco que desfila próximo às margens da cidade, levando a imagem
da Santa.
fonte: EMBRATUR
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