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TURISMO NO BRASIL: UM FENÔMENO RODOVIÁRIO

Em tempo de férias, o tema turismo volta a ser discutido como grande alternativa para o desenvolvimento brasileiro. O país oferece inúmeras atrações, boa oferta de meios de hospedagem e razoável infra-estrutura de rodovias, sem falar nos vários aeroportos de padrão internacional.

Mas tanto nos discursos oficiais, como nos artigos, técnicos, publicados nos principais veículos do setor , a analise do turismo tem se restringido a dois aspectos: turismo internacional, pelo seu potencial como gerador de divisas e turismo nacional, principalmente através de transporte aéreo.

As campanhas da Embratur enfatizam a importância de viajar pelo Brasil, mas as cidades que aparecem na publicidade, são basicamente destinos que exigem transporte aéreo.

Curiosamente, enquanto todos os aeroportos nacionais registram a movimentação em torno a 50 milhões de passageiros por ano, entre embarques e desembarques, incluindo nisso os estrangeiros, as rodovias brasileiras somam mais de 1,2 bilhão de pessoas, em viagem a trabalho e passeio.

Mas as rodovias não aparecem nas campanhas publicitárias.

Por que?
Simples. Na concepção oficial, o turismo no Brasil é feito por companhias aéreas, ficando para as classes menos favorecidas outros meios de transporte. Mas quem ficar numa praça de pedágio de uma rodovia na saída de São Paulo , irá perceber que numa estrada rumo ao litoral, como a Imigrantes, passam mais paulistas por uma praça de pedágio em uma hora do que passageiros no maior aeroporto do país num dia inteiro. Observando os carros, ficará evidente que fazem parte de um grupo social de bom poder aquisitivo.

Portanto, as viagens rodoviárias representam o grande mercado de turismo do país, até porque, de carro ou ônibus, as pessoas viajam várias vezes por ano, nos fins de semana, feriados, férias, para feiras, congressos.

Não podemos deixar de reconhecer que têm sido veiculadas várias campanhas publicitárias incentivando o turismo interno, mas nunca mostrando o Brasil que você pode conhecer pelas nossas estradas. Essa falta de conhecimento do mercado fica evidente quando os anúncios lembram ao potencial turista de procurar seu agente de viagem. Ora, menos de 7% das cidades brasileiras tem agência de viagem. E a maioria dos que viajam nacionalmente fazem tudo por conta própria, dificilmente utilizam agência.

Mesmo em termos de turismo internacional, o país que mais envia turistas para o Brasil é a Argentina. A maioria vem por via rodoviária e sua permanência média é mais elevada do que os turistas estrangeiros de outras nacionalidades. Podem não ficar nos melhores hotéis, mas acabam pagando pedágio, consumindo combustível, alugando casa, permanecendo muitos dias, portanto gastando mais e voltando com mais frequência.

Para entender o potencial do turismo no Brasil é preciso compreender o nosso turista, de que forma ele decide sua viagem e que aspectos considera mais importantes. Para a maioria absoluta, a qualidade das estradas é fundamental e melhorando as condições das mesmas, país terá enorme crescimento do seu turismo interno e irá estimular as viagens de turistas estrangeiros, em particular dos países do Mercosul, pelo interior do Brasil.

O turismo é acima de tudo um fenômeno rodoviário. E considerando que, apesar da precariedade das nossas estradas, mais de 1,2 bilhão de pessoas viajam anualmente por elas, fica evidente que melhorando as condições das rodovias, o turismo interno terá grande expansão.

Claro que o transporte aéreo é importante, mas turismo no Brasil, ainda por muito tempo, será uma questão de boas estradas.

PEGUE AQUI A TABELA DE DISTANCIAS DAS CIDADES BRASILEIRAS

Autor: Rodolfo Alberto Rizzotto
e-mail:
atendimento@estradas.com.br
Editor da
RDE - Revista das Estradas. Tem mestrado em turismo na Itália e é membro da AIEST (Association Internationale D'Experts Scientifiques du Tourisme), com sede na Suíça.
Fonte : Site Estradas.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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